O vilão da pele


Com a chegada do inverno, algumas pessoas acreditam que a proteção em relação aos raios ultravioletas podem ser reduzidos. Afinal de contas, o sol não está mais tão radiante todos os dias, e acredita-se que abusar de cremes com fatores UV no rosto e braços é desnecessário. Mas é aí que se encontra o perigo, pois esta falta de preocupação em temporadas mais frias pode aumentar o risco de problemas de pele, entre eles o câncer. “Os raios UVA estão presentes quase que em mesma intensidade em todas as épocas do ano. No inverno, a pessoa tem a sensação falsa de que o sol não está prejudicando sua pele, levando-a a se expor por ainda mais tempo”, explica Geraldo Felício Júnior, oncologista do Cetus-hospital-dia em Betim, Minas Gerais.

Considerado o mais diagnosticado entre os casos da doença, correspondendo a 25%, o câncer de pele é causado por meio das mutações no DNA de alguma célula. O principal fator do problema é a alta exposição ao sol, e consequentemente aos raios ultravioleta. Além disso, os mais branquinhos devem ficar em alerta, já que a doença aparece bastante em pessoas de pele clara, devido à falta de melanina, pigmento que dá cor à pele e funciona como um protetor natural.

Tipos diferentes Existem dois grupos de câncer de pele: os melanomas e não-melanomas, e os carcinomas. Segundo a dermatologista Cristiane Braga, os melanomas são causados por uma predisposição genética (alguém da família tem, ou teve), mas a incidência aumenta com a exposição ao sol. Já os não-melanomas, não têm nenhuma relação genética, mas a incidência aumenta consideravelmente com a fotoexposição. “O melanoma é o mais perigoso por ter maior capacidade de se disseminar a outros órgãos. O seu aparecimento deve ser suspeitado caso apareça no corpo alguma pinta escura, que seja aumentando de tamanho, mas não apresente dor ou. Além disso, em geral, estas pintas são planas, assimétricas, com bordas irregulares, múltiplas cores em tons de marrom e preto”, explica Júnior.

Já os carcinomas são suspeitados pela presença de feridas na pele que não cicatrizam e que frequentemente formam uma “casquinha”, que sangra, caso a pessoa mexa.

O diagnóstico Além da prevenção, é muito importante ficar atento ao aparecimento de algo diferente na pele. “Se a região apresentar manchas, feridas que não cicatrizam ou pintas de nascença crescendo ou mudando de cor, procure por um especialista. O médico observará a pele e, caso encontre qualquer indício de câncer, irá fazer uma biópsia e encaminhar o material para análise, que apresentará o diagnóstico correto”, esclarece Marcelo Olivan, médico do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e responsável por um Portal sobre o assunto.

Além disso, outro ponto bastante importante apresentado pelos profissionais é que a doença normalmente aparece após anos de exposição ao sol. “Uma pessoa com 40 anos, por exemplo, pode ser diagnosticada com câncer de pele devido a sua falta de proteção solar durante a infância e adolescência”, argumenta Olivan.

Término do problema A escolha do tratamento mais eficaz depende de fatores como o tamanho, a profundidade, a localização e o tipo da doença. O câncer pode ser “raspado” do corpo, e depois as células cancerígenas são mortas com o uso de eletricidade (método chamado eletrodissecação e curetagem), ou toda a área do tumor é removida (no procedimento conhecido como excisão), e é utilizada até a criocirurgia, método que congela o local das células cancerosas. Procedimentos para melhorar não faltam, mas o método mais bem sucedido ainda é a prevenção.

Perguntinhas básicas O cuidado deve ser feito por todos, independente do risco, mas para quem quer saber as chances de adquirir a doença, Olivan explica que existem alguns questionamentos que o paciente deve realizar. Se a resposta for “sim” a uma ou algumas das perguntas, as chances de ter câncer de pele no futuro são maiores. “É preciso entender que mesmo com retorno afirmativo aos questionamentos, a doença pode não se manifestar no organismo”, acalma o oncologista.

Portanto, responda:

1 – Alguém da sua família já teve melanoma?

2 – Você tem agora, ou já teve, pintas “diferentes”?

3 – Você tem mais de 50 pintas?

4 – Toma algum medicamento que pode enfraquecer o seu sistema imunológico?

5 – Já teve alguma bolha decorrente de queimadura solar na infância ou adolescência?

6 – Tem pele, cabelo e olhos claros?

7 – Vive em uma região com grande incidência de radiação solar?

8 – Você deixa de usar protetor solar todos os dias ou de cobrir a sua pele para protegê-la contra o sol?

9 – Usa camas de bronzeamento artificial?

Entrevista com Dr. Geraldo Felício Júnior publicada no site http://www.armariofeminino.com.br/Beleza-e-Saude/1966/O-vilao-da-pele . Autor: Priscila Ferraz de Mello.

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