Verão sem culpa


Dr. Bruno Muzzi Carneiro, Oncologista do Cetus Oncologia

 

Os raios solares são os principais vilões do câncer de pele, doença frequente que corresponde a 25% de todos os diagnósticos de câncer no Brasil. Com a chegada da estação mais quente do ano, é preciso ficar alerta e tomar medidas de prevenção para evitar o tipo de câncer mais comum no Brasil e no mundo. Com a destruição cada vez maior da camada de Ozônio, a incidência deste tipo de câncer está aumentando. Embora o tipo mais letal seja o mais raro, a doença ainda mata muita gente. Cerca de 75% das mortes por câncer de pele são causadas por melanoma. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), em 2016 são esperados 175 mil novos casos da doença em 2016.

Como a pele está exposta aos fatores externos, sendo o maior órgão e o responsável por envolver todo o corpo, ela precisa de cuidados para não sofrer com os efeitos nocivos do sol, fungos, bactérias, sujeiras e outras agressões. Além de ser uma barreira de proteção do organismo contra esses agentes, a pele também é responsável pelo controle da temperatura corporal, fluxo sanguíneo e funções sensoriais.

A falta de cuidado com esse órgão vital, principalmente no verão com exposição excessiva ao sol e negligência quanto ao uso do protetor solar, pode causar o câncer de pele, que é o crescimento anormal e descontrolado de células. A idade e sexo, características da pele, histórico familiar, pessoal e imunidade enfraquecida são outros fatores de riscos. Esse tumor pode ser dos tipos não melanoma e melanoma.

O tipo de câncer de pele mais frequente e o menos agressivo é o carcinoma basocelular (CBC), representando 80% dos diagnósticos de cânceres não melanoma. Ele tem crescimento muito lento e raramente invade outros tecidos. Esse tumor é encontrado frequentemente nas partes do corpo expostas ao sol, como rosto e pescoço, sendo o nariz a localização mais frequente (70% dos casos). Quanto retirado precocemente, as chances de cura são muito altas.

O segundo mais frequente é o carcinoma espinocelular (CEC), responsável por cerca de 20% dos tumores cutâneos não melanoma. Ele cresce nas áreas mais expostas ao sol (como couro cabeludo e orelha) e ocorre principalmente nas idades entre 60 a 70 anos. A evolução desse câncer é mais agressiva e pode atingir outros órgãos (embora raramente), caso não seja retirado precocemente.

O melanoma é o tipo mais grave, representando 4% dos diagnósticos, embora a sua incidência esteja aumentando no mundo inteiro. De acordo com o INCA, são estimados mais de 6 mil novos casos por ano. Esse tumor pode ocorrer na pele, olhos, orelhas, trato gastrointestinal, mucosas, genitais e tem a capacidade de disseminar para qualquer órgão (metástases), inclusive cerebrais.

A cirurgia para a retirada do tumor é o tratamento mais indicado para todos os tipos, porém, a recomendação médica depende de cada paciente. Para prevenir o câncer de pele e evitar que a incidência dessa doença aumente no Brasil é importante evitar a exposição em excesso ao sol (especialmente entre 10 e 16 horas), usar protetor solar e consultar o Dermatologista periodicamente.

22-01-2016 - Jornal Hoje em Dia - Verão sem culpa

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