Celulares e o Risco de Câncer


Pontos chaves

  • Telefones celulares emitem energia de radiofreqüência (RF) que é o outro nome para ondas de rádio (veja as Perguntas 1 e 2).
  • Pesquisas sugerem que a quantidade de energia de RF produzida pelos aparelhos celulares causa aquecimento de tecidos e aumento da temperatura corporal (veja Pergunta 2)
  • Preocupações têm sido levantadas se energia de RF emitida por telefones celulares pode atribuir um risco de câncer aos usuários (veja Perguntas 1 e 2)
  • Pesquisadores estudam tumores cerebrais e do sistema nervosa central e de outros sítios da cabeça e pescoço porque os celulares são tipicamente mantidos próximo à cabeça durante o uso (veja Pergunta 5)
  • Pesquisas não têm mostrado uma ligação consistente entre o uso de telefones celulares e câncer. Um grande estudo internacional (INTERPHONE Study) publicado em 2010 encontrou que, no geral, usuários de telefone celulares não tiveram aumento de risco para os dois tipos de tumores cerebrais mais comuns – Glioma e Meningioma. Para uma pequena parcela de participantes do estudo que reportaram despender um maior tempo em ligações com celulares houve um aumento do risco para Glioma, mas os pesquisadores consideram este achado inconclusivo (veja Perguntas 6 e 7)

Perguntas e Respostas

  1. Porque existe a preocupação de que telefones celulares podem causar câncer ou outros problemas de saúde?Existe três razões principais pelas quais as pessoas estão preocupadas com telefones celulares (também conhecidos como telefones “sem fio” ou telefones “móveis”) poderem causar certos tipos de câncer e outros problemas de saúde:
    • Telefones celulares emitem energia de radiofrequência (ondas de rádio) que é uma forma de radiação que tem sido estudada há muitos anos para avaliar os efeitos desta sobre o corpo humano (1)
    • O uso de telefones celulares iniciou na Europa nos anos 80, mas não se difundiu para os Estados Unidos até os anos 90 (o mesmo ocorrendo no caso do Brasil). A tecnologia está em constante evolução. O recente estudo INTERPHONE é um dos poucos grandes estudos de efeitos da energia de RF sobre o corpo humano.
    • O número de usuários de telefones celulares tem aumentado rapidamente. A partir de 2009, havia mais de 285 milhões de assinantes de serviços de telefonia celular nos Estados Unidos, de acordo com a Associação de Telecomunicações e Internet. Isso representa um aumento de 110 milhões de usuários em 2000 e 208 milhões de usuários em 2005. Dados brasileiros divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) dão conta de que em março de 2011 havia 210,5 milhões de assinantes de telefonia celular.

    Por estas razões é importante saber se a energia de RF produzida por telefones celulares afetam a saúde.

  2. O que é energia de RF e como ela pode afetar o corpo?Energia de RF é uma forma de radiação eletromagnética.A radiação eletromagnética pode ser dividida em dois tipos: ionizante (alta freqüência) e não-ionizante (baixa freqüência) (2). Energia de RF é um tipo de radiação eletromagnética não-ionizante. Radiação ionizante, tais como a produzida por aparelhos de raio X pode representar risco para o câncer. Não há atualmente nenhuma evidência conclusiva de que radiação não-ionizante emitida por telefones celulares está associada ao risco de câncer (2).Estudos sugerem que a quantidade de energia de RF produzida por telefones celulares é muita baixa para causar aquecimento tecidual significativo ou um aumento da temperatura corpórea. No entanto, são necessárias mais pesquisas para determinar quais os efeitos que, eventualmente a energia de RF não-ionizante tem sobre o corpo e se ela representa um perigo à saúde (2).
  3. Como o usuário de telefone celular é exposto à energia de RF?O telefone celular é uma fonte de energia de RF produzida por sua antena. A antena dos novos celulares é o próprio aparelho, que é tipicamente mantido contra de um lado da cabeça quando o telefone está em uso. Quanto mais próximo da cabeça, maior a exposição pessoal à energia de RF. A quantidade de energia de RF absorvida por uma pessoa diminui significativamente com o aumento da distância entre a antena e o usuário. A intensidade de energia de RF emitida por um telefone celular depende do nível do sinal (1).Quando uma chamada é realizada de um telefone celular, um sinal é enviado a partir da antena do telefone para a antena da estação de base mais próxima. A estação de base distribui o sinal por meio de um centro de comutação transferindo a chamada a outro celular, outra estação de base ou a um sistema de telefonia local de linha terrestre. Quanto mais longe um celular estiver da antena da estação de base, maior o nível de energia necessária para manter a conexão. Esta distância determina, em parte, a quantidade de exposição à energia de RF para o usuário.
  4. O que determina o quanto de exposição de energia de RF ao usuário de telefones celulares?O nível de exposição de um usuário de telefone celular a energia de RF depende de vários fatores, incluindo:
    • O número e a duração das chamadas.
    • A quantidade de tráfico de telefone celular em um determinado tempo.
    • A distância da estação de base mais próxima.
    • A qualidade da transmissão do celular.
    • O tamanho do aparelho.
    • Em telefones antigos, o comprimento da antena entendida.
    • Se um aparelho assessório “hands-free”, tais como fone de ouvido, é usado ou não.
  5. Quais são as partes do corpo que podem ser afetadas durante o uso de telefones celulares?Devido a proximidade os órgãos que se encontram na cabeça e pescoço (Cérebro e Glândulas, por exemplo) são aqueles que podem ser afetados. Os pesquisadores têm focado em tumores cerebrais malignos, tais como os gliomas (tumores que acometem o cérebro), os tumores benignos, tais como o neurinoma do nervo acústico (que acomete nervo auditivo) e os menigiomas (tumores que acometem as meninges), bem como os tumores que ocorrem nas glândulas salivares, tais como as parótidas também expostas a energia de RF devido à proximidade com os aparelhos celulares quando de encontro à cabeça.
  6. Quais os estudos que tem sido feitos e o que eles têm mostrado?Numerosos estudos têm investigado a relação entre o uso de telefones celulares e o risco de desenvolvimento de tumores cerebrais malignos e benignos.O estudo mais significativo de uso de celulares em longo prazo foi o INTERPHONE Study realizado em 13 países através de um consórcio internacional de estudos caso-controle. O estudo INTERPHONE foi coordenado pela Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (International Agency for Research on Cancer – IARC) (3). O objetivo primário desse estudo foi avaliar se a exposição à energia de RF de telefones celulares é associada ao aumento do risco de tumores cerebrais benignos e malignos e de outros tumores da cabeça e pescoço. Foram incluídos participantes da Alemanha, Austrália, Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Israel, Itália, Japão, Nova Zelândia, Noruega, Reino Unido e Suécia (4).Os pesquisadores do INTERPHONE, no geral, não observaram aumento do risco para os dois mais comuns tipos de tumors cerebrais (glioma e meningioma). Além disso, eles não encontraram nenhuma evidência de aumento do risco com a elevação progressiva do número de chamadas, tempo de duração ou anos desde o início do uso de telefone celular. Para uma pequena parcela de participante do estudo que reportaram despender um maior tempo total de uso de telefones celulares houve um aumento do risco de glioma, mas os pesquisadores consideram os achados inconclusivos. O estudo foi publicado em 17 de maio de 2010 na revista International Journal of Epidemiology (5).Outros estudos que investigaram o desenvolvimento de gliomas, meningioma e neuroma do nervo acústico e que não apresentaram relação entes a exposição à energia de RF são encontrados nas referências de 6 a 11. Alguns estudos sugerindo discreta elevação de riscos para esses tumores são encontrados nas referências 12 e 13 no final desta página.Dados de incidência do Surveillance, Epidemiology and End Results (SEER) Program (Programa de controle e vigilância epidemiológica Americano) do Instituto Nacional de Saúde americano (NIH) não mostrou aumento do número de casos de câncer cerebrais e do sistema nervosa central entre 1987 e 2007 a despeito do aumento dramático de uso de telefones celulares (21).Existem poucos estudos que apresentam possível relação entre uso de telefones celulares e outros tumores que não aqueles que ocorrem no cérebro e no sistema nervoso central (22–25).
  7. Porque muitos dos resultados dos estudos são inconsistentes?O estudo INTERPHONE sugere que, no geral, não há risco de câncer devido a telefones celulares.Existem várias razões para as discrepâncias entre outros estudos:
    • As informações sobre o uso incluem a freqüência do uso e a duração da chamadas que foram acessadas por meio de questionários. A acurácia dos dados coletados durante as entrevistas dependeram da memória dos entrevistados. Erro pode ocorrer neste tipo de pesquisa (“erro de memória”).
    • A constante mudança de tecnologia leva a dificuldade para analisar dados. Telefones digitais antes comuns deixaram de ser utilizados e atualmente os aparelhos digitais são maioria absoluta. Tecnologia 2G, ou de segunda geração introduzida nos Estados Unidos na década de 90 foi substituída pela 3G introduzida em 2001 e já se anuncia a quarta geração. Assim os telefones celulares operam com diferentes freqüências e com diferentes sistemas operacionais.
    • O intervalo entre a exposição ao “carcinógeno” e o início dos sinais clínicos de um tumor pode ser de muitos anos ou décadas.
    • Estudos epidemiológicos do uso de telefones celulares e o risco de câncer cerebral apresentam falta de dados verificáveis sobre a energia de RF acumulada ao longo do tempo. Estes estudos também são vulneráveis a erros no relato de seus participantes da exposição à RF (26, 27). Além disso, a taxa de participação foram freqüentemente diferentes entre as pessoas com câncer e aquelas sem tumores malignos em estudos de tumores cerebrais, um problema conhecido como “erro de participação”. Alguns estudos têm indicado uma maior participação de indivíduos com tumores cerebrais quando comparado com pessoas co grupo controle e, a taxa de participação pode estar relacionada ao uso do telefone celular.
    • O uso de acessórios com tecnologia sem fio, também conhecidos como “hands-free”(tais como fones de ouvido), tem aumentado e conseqüentemente pode alterar a exposição à energia de RF.

    Com a publicação do estudo INTERPHONE, pesquisas têm demonstrado consistentemente que não há uma ligação entre uso de telefones celulares e câncer, mas os cientistas recomendam atenção a futures vigilâncias, principalmente no que diz respeito ao crescente e intenso uso de celulares por crianças (1, 28).

  8. Existe algum estudo prospectivo ou outros tipos de pesquisa que estão sendo conduzidos e que evitam o “erro de memória”?Um grande estudo prospectivo tipo coorte em usuários de celular para avaliar os efeitos sobre a saúde foi lançado em março de 2010 na Europa. Este estudo, conhecido como COSMOS, irá recrutar 250.000 usuários de telefone celular com idade de 18 ou mais e irá segui-los por 20 a 30 anos. Maiores informações sobre o estudo COSMOS no site: www.ukcomos.org.
  9. As crianças apresentam um maior risco de desenvolver câncer devido ao uso de telefones celulares?Atualmente não existem dados sobre o risco do uso de telefones celulares e câncer em crianças. Nenhum estudo publicado incluiu crianças nas pesquisas. O uso de celulares por crianças e adolescentes tem aumentado rapidamente e eles têm acumulado muitos anos de exposição à radiação durante suas vidas (1). Adicionalmente, crianças podem apresentar um grande risco devido ao sistema nervoso ainda estar em desenvolvimento. Um grande estudo caso-controle em tumores cerebrais na infância em vários países do norte Europeu está em andamento. Na Espanha, pesquisadores estão conduzindo uma pesquisa internacional, chamado Mobi-Kids, para avaliar o risco de novas tecnologias de comunicação (incluindo telefones celulares) e outros fatores ambientais em pessoas de 10 a 24 anos. (Maiores informações sobre o estudo no site: www.mbkds.com).
  10. Como pode fazer os usuários de telefone celular para reduzir a exposição à energia de RF?O órgão americano responsável por analisar produtos comercializados nos Estados Unidos que podem interferir na saúde, Food and Drug Administration (equivalente à ANVISA no Brasil) e a Comissão Federal de Comunicação americana (FCC) sugerem algumas medidas aos usuários de telefone celular no que diz respeito à preocupação com os riscos potenciais à saúde (2, 29):
    • Reserve o uso dos telefones celulares para conversas rápidas ou para quando o telefone convencional não estiver disponível.
    • Mude para telefones celulares que tenham acessórios “hands-free” que possam ser utilizados em lugares sitantes entre o telephone e o cabeça do usuário

    Kits “hands-free” reduzem a quantidade de exposição de energia de RF à cabeça do usuário porque a antenna que é a fonte de energia não fica próxima à cabeça.

  11. Qual é a incidência dos tumores cerebrais? Esta tem sofrido mudanças ao longo do tempo?A incidência (número de casos novos em um determinado período de tempo) e a mortalidade de cânceres cerebrais tem apresentado discretas mudanças na última década. Nos Estados Unidos foi estimado para 2009 22.070 novos casos e 12.920 mortes por câncer cerebral.A taxa de sobrevida em 5 anos para cânceres cerebrais de 1999 a 2006 foi de 36,3% (21). Isto significa que 36,3 de cada 100 pessoas com recém diagnóstico de câncer cerebral sobrevivem por pelo menos 5 anos (21).O risco de desenvolver câncer cerebral aumenta com a idade; a taxa de incidência de 2003 a 2007 em pessoas abaixo de 65 anos foi de 4,6 em cada 100.000 habitantes (dados americanos) comparado com taxa de 19,4 em cada 100.000 pessoas com de 65 anos ou mais (21).

Referências

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