O Outubro Rosa


Sandro Salim Lana

Outubro chegou e com ele também o movimento “Outubro Rosa” que acontece pelo mundo inteiro para chamar a atenção para o segundo tipo mais freqüente de câncer no mundo, o câncer de mama. No Brasil, governos municipais, estaduais e federal também vão se juntar à luta em um plano nacional de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de mama.

Movimento surgido em 1997 na Califórnia, o mês ganhou esta cor para conscientizar as mulheres – embora 0,8% dos casos serem também associados aos homens- sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama, que aumenta consideravelmente as chances de cura da doença. Monumentos de todo o mundo serão iluminados em rosa para motivar a população a se prevenir.

Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam a ocorrência de aproximadamente 580 mil casos novos de câncer para 2015 no Brasil, sendo 57 mil somente de mama. O país ainda ocupa uma vergonhosa 38ª posição do ranking quando o assunto é a cura do câncer de mama, enquanto Estados Unidos e Cuba assumem o primeiro e o segundo lugar.

Fica então a pergunta: O que acontece com o nosso país? Nós que fazemos parte da sociedade médico-científica conhecemos de perto a situação do Brasil e o gargalo da inoperância. Hoje existem técnicas avançadas de diagnóstico e tratamento e, se descoberto em estágios iniciais, as chances de cura são elevadas a mais de 90%. No entanto, sabemos que no país cerca de 1/3 das mulheres descobrem que estão com a doença já em situação avançada, quando metástases já estão instaladas em outras partes do corpo. Daí a importância de uma campanha mundial como o “Outubro Rosa”.

No Brasil mais de 75% dos mamógrafos estão em clínicas particulares, restritos apenas aos que possuem planos de saúde ou condições financeiras para pagar o exame, o que exclui grande parte da população feminina brasileira. Alguns municípios têm trabalhado pesado para reverter essa situação, disponibilizando acesso às usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS) a esse serviço. No Cetus-hospital dia em Betim, por exemplo, já disponibilizamos tratamento quimioterápico, radioterápico e hormonioterápico às pacientes do SUS que já passaram pela etapa do diagnóstico.

Mais um alento à população surge no tratamento e prevenção do câncer de mama. No final de setembro foi inaugurado o Instituto Mineiro de Mastologia. Ele é o primeiro centro destinado exclusivamente à prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de mama e tem como objetivo reduzir o tempo de diagnóstico e tratamento proporcionando mais chances de cura.

Promover a cultura do autoexame entre mulheres de todas as classes sociais e dar acesso às mais carentes a mamografia é o grande desafio de sociedade e governos. O Brasil pode mudar a sua triste estatística. É preciso investimentos, conscientização e campanhas efetivas para que a vida seja preservada com saúde e dignidade.

30-09-2015 - Hoje em Dia - O Outubro Rosa

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