A nutrição e o câncer


Helena Moss, nutricionista especializada em oncologia do Cetus hospital-Dia

A alimentação é fator primordial na rotina diária da humanidade. Mas, mesmo com tanta informação, ainda há quem esqueça que uma nutrição saudável contribui para a prevenção ou o combate de muitas doenças. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), metade da população adulta do Brasil com 20 anos ou mais está acima do peso. Para conscientizar a população sobre a importância de se ter hábitos alimentares saudáveis, o Ministério da Saúde adotou o dia 31 março como o Dia Nacional da Saúde e Nutrição.

A nutrição é responsável pela iniciação e proliferação de até 40% dos casos de câncer. O excesso de peso e o acúmulo de gordura abdominal, conforme vários estudos já comprovaram, têm relação direta com o aparecimento dos tumores. Em pacientes já diagnosticados com a doença, a alimentação segue como aliada na imunidade do corpo – podendo deixar o organismo mais forte para combater a doença já instalada.

O acompanhamento nutricional é indicado no início do tratamento. Os efeitos dos tratamentos oncológicos são grandes e invasivos, podendo causar grandes prejuízos no processo de nutrição do paciente. Nem todos os tumores são considerados hipermetabólicos, ou seja, que aumentam a taxa metabólica de seu portador fazendo com que tenha potencial para perda de peso corporal. Porém, a desnutrição calórica e proteica em indivíduos com câncer é muito frequente.

Cerca de 40 a 80% dos casos apresentam perda de peso ou têm desnutrição instalada. Tal fato se deve a diversos fatores relacionados não só à doença, mas a efeitos colaterais do tratamento. Muitas vezes os pacientes chegam ao consultório com sintomas como alteração do paladar, náuseas, vômitos, diarreias, diminuição do apetite, lesões em cavidade oral, estomatite, entre outros. Algumas recomendações nutricionais podem melhorar estes sintomas, minimizando o efeito nocivo do tumor maligno e do tratamento. A Terapia Nutricional é uma importante arma terapêutica que possibilita ao paciente submeter-se com mais segurança ao tratamento oncológico. Pacientes que desnutrem durante o tratamento têm maior possibilidade de complicações pós-operatórias, aumento da morbimortalidade, do tempo de internação e do custo hospitalar.

Estudos têm demonstrado que a ingestão de antioxidantes (vitamina C, E e carotenoides) são eficazes para retardar ou prevenir o aparecimento de câncer. Por isso, a Organização Mundial de Saúde preconiza uma alimentação rica em vegetais, frutas e legumes (cinco ou mais porções por dia), pobre em carnes vermelhas, gorduras saturadas, sal e açúcar, bem como, evitar bebida alcoólica em excesso. As frutas, legumes e verduras são excelentes fontes destes nutrientes. Observamos que a cada dia as pessoas ingerem uma quantidade menor destes alimentos e consequentemente ficam mais expostas às complicações na saúde.

Infelizmente não há alimentos que especificamente aumentem as chances de curar o câncer, mas é sabido que outros podem ajudar a prevenir. Os cuidados com o que se come visando boa saúde devem começar ainda na infância. É de extrema importância que governos, sociedade e comunidade científica se unam em uma campanha que vise a conscientização e educação alimentares.

A Nutrição e o Câncer

Artigo publicado dia 15/04/2015, no Jornal Estado de Minas.

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