Luta contra o câncer


Sandro Lana, oncologista do Cetus Oncologia

Apesar dos avanços nos tratamentos e na difusão de medidas preventivas, o número de casos de câncer só aumentam em todo o mundo. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que em 2016, 596 mil pessoas serão diagnosticadas com a doença no Brasil. Estes dados alarmantes nos levam a refletir, neste 08 de abril, data em que é lembrado o Dia Mundial de Combate ao Câncer, sobre o que podemos fazer para fortalecer a luta contra esta neoplasia e reforçar a importância da prevenção.

Diariamente, cientistas e pesquisadores trabalham arduamente para encontrar a tão sonhada “cura para o câncer”. Tudo começou em 1971, quando o presidente norte-americano Richard Nixon, convocou cientistas para iniciar uma “guerra contra o câncer”. Desde então, os americanos desembolsaram, em média, 70 bilhões de dólares em pesquisas, além disso, outras dezenas de bilhões foram investidos por laboratórios farmacêuticos, ONGs e governos de todas as partes do mundo, visando solucionar este problema.

De lá para cá, já tivemos inúmeras notícias de possíveis remédios que poderiam “curar” a doença. Recentemente, a sociedade se deparou com um destes casos. Uma droga não aprovada, sintetizada na Universidade de São Paulo, passou a ser solicitada na Justiça com causas ganhas. Tudo começou com um especialista do Instituto de Química da USP de São Carlos que distribuía de modo autônomo uma substância com ação anticâncer produzido por ele: a fosfoetanolamina sintética, conhecida popularmente como a “pílula do câncer” e que promete curar a doença. Mas nós, médicos bem sabemos que uma única droga pode não ser capaz de frear o câncer, pois a doença se mostra em mais de 100 tipos e de forma diferente.

Diante de uma sentença desfavorável, é fácil entender que os pacientes com câncer e seus familiares percam as esperanças e passem a buscar soluções mágicas. Neste momento precisamos das instituições médicas e científicas mais firmes, para evitar falsas esperanças, pois a substância é alvo de muitos questionamentos. Laudo técnico divulgado no mês de março pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) mostrou que a fosfoetanolamina é ineficaz para combater células cancerígenas in vitro.

Com os progressos da medicina, hoje temos outras armas concretas contra o câncer, como a imunoterapia. As últimas pesquisas mostraram resultados promissores no tratamento de tumores agressivos em estágio avançado. O objetivo da imunoterapia é tratar a doença pela estimulação do sistema imunológico do paciente. Conhecida há cerca de cinquenta anos, ela só começou a apresentar resultados satisfatórios há pouco tempo, quando os cientistas ganharam mais conhecimento sobre o funcionamento do sistema imunológico. Descobriu-se que alguns componentes que impedem as defesas do organismo de funcionar com força total precisariam ser inibidos para o combate eficaz aos tumores.

Ainda temos muitos desafios pela frente nesta batalha épica contra o câncer. Mais do que investir em tratamento, é preciso focar em estudos, prevenção e conscientização de toda a população. O futuro das pesquisas é promissor, mas além disso, é fundamental que a sociedade assuma uma postura ativa e responsável perante sua própria saúde. É preciso se conscientizar de que a luta contra o câncer não começa no tratamento, e sim, na prevenção.

10-04-2016 - Jornal Estado de Minas - Luta contra o câncer

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