O linfoma no Brasil


Gustavo Romani, Hematologista do Cetus Oncologia, centro especializado em Medicina Oncológica

Recentemente, o anúncio do diagnóstico positivo do ator Edson Celulari para o linfoma, fato seguido de grande comoção nacional, fez surgir nos mais diversos veículos da imprensa rumores sobre este tipo de câncer que, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), deve acometer quase 11 mil novos casos em 2016 no país. O linfoma é um câncer pouco conhecido pela população brasileira por ser um tipo raro. No entanto, é importante levantarmos questionamentos e reflexões sobre esse tumor e explicitar as dúvidas da população.

A estimativa é de que os linfomas sejam a nona ou décima ocorrência de câncer no Brasil, variando de acordo com a região do país. Neste momento, em que a busca por informações aumenta, é de extrema importância alertar a população sobre a doença, uma vez que o número de casos duplicou nos últimos 25 anos e, um dado mais importante, por razões ainda desconhecidas.

O linfoma é um câncer que afeta as células do sistema linfático, que é uma parte importante do sistema imunológico, ou seja, o sistema de defesa do nosso organismo que ajuda a combater infecções. No linfoma, essas células se proliferam de forma descontrolada.

Os linfomas são divididos em dois subtipos: os Hodgkin e os não-Hodgkin, porque possuem células com características diferentes. Este último, corresponde a mais de 80% de todos os casos de linfoma com 20 subtipos. Em casos de personalidades que lutam ou lutaram contra a doença, além de Celulari, o ator Reinaldo Gianecchini, a presidente afastada, Dilma Rousseff e o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, foram acometidos pelo não-Hodgkin.

O principal sintoma do linfoma não-Hodgkin é o aumento dos gânglios linfáticos, que se manifesta pelo surgimento de pequenos caroços em regiões como pescoço, axila e virilha. Outros sintomas são febre, tosse, coceira na pele, suor noturno e perda de peso. Entre os linfomas, é o tipo mais incidente na infância mas, por razões ainda desconhecidas, o número de casos aumentou exponencialmente nas últimas décadas, principalmente entre pessoas nos dois extremos da vida, ou pacientes jovens ou mais velhos.

Entre as opções de tratamento estão a quimioterapia, a imunoterapia, a radioterapia e o transplante de medula óssea. As chances de cura, segundo a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), são, em média, de 60% a 70%.

O grande mistério da doença é o fato de ter aumentado tanto o número de casos nos últimos anos, sem um perfil específico, um grupo de risco, diferenciações por idade e sexo. Não se sabe a causa da doença. Linfomas não têm, na maioria das vezes, causa específica que contribua para seu surgimento, como por exemplo, o câncer de pulmão, que tem no fumo um agente causador ou que acelera o seu desenvolvimento.

Portanto, faz-se necessária a conscientização da sociedade sobre os cuidados com a saúde e a adoção de um estilo de vida saudável e com melhor qualidade. Buscar continuamente um estilo de vida mais saudável é sempre uma forma de prevenir qualquer tipo de câncer. Quando o organismo não está bem, ele exterioriza por meio de sintomas, que devem ser avaliados por um profissional da saúde ao menor sinal deles.

Na medida em que os casos aumentam, nossa medicina e os tratamentos também avançam,e a passos largos. E todo cuidado ainda é pouco.

08-07-2016 - Jornal Estado de Minas - O linfoma no Brasil

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