A epidemia do câncer no mundo


Dr. Geraldo Felício, oncologista do Cetus Oncologia

 

O aumento da incidência de câncer, em certo ponto, é consequência inevitável do envelhecimento da população que é proporcionado pela melhoria da qualidade de vida e acesso a saneamento básico, vacinação e tratamento das doenças infecto-parasitárias que ocorreram desde a Revolução Industrial. Há um século, a expectativa média de vida da população era menor que 40 anos. Hoje quase dobrou.

Porém, estima-se que cerca de 30-40% dos casos de câncer poderiam ser evitados com medidas simples que combatam a exposição aos principais fatores conhecidos causadores de câncer (ou carcinógenos), tais como: tabaco, obesidade, sedentarismo, exposição solar excessiva, vírus causadores de câncer como HPV, HIV e hepatite B e C, consumo excessivo de álcool, carne vermelha ou processada, consumo precário de fibras, frutas e verduras e uso de agrotóxicos.

O Dia 04 de fevereiro, celebrado como Dia Mundial do Câncer, foi criado para chamar a atenção para essa epidemia, disseminar informação e estimular o debate sobre atitudes a serem tomadas para reduzir o número de casos através da prevenção da doença.

Alguns exames em pessoas assintomáticas podem reduzir a mortalidade pelo câncer, não pela sua prevenção, mas pela promoção do seu diagnóstico precoce, em estágio curável: é o caso da mamografia e exame de colo uterino, em mulheres, e o PSA e exame de toque retal em homens. O exame de colonoscopia merece menção especial por realmente prevenir o câncer de intestino (a terceira maior causa de morte por câncer) removendo lesões pré-cancerosas.

A vacinação contra o HPV em meninas pré-adolescentes reduz as taxas de câncer de colo uterino em até 90%. A vacinação contra a hepatite B previne a hepatite crônica pelo vírus B, uma das principais causas de câncer de fígado no mundo.

Uma das doenças mais presentes do nosso tempo, e segunda causa de morte no mundo desenvolvido, o câncer é causa frequente de sofrimento pessoal, e uma preocupação para os sistemas de saúde por ter um tratamento oneroso, complexo e crônico.

Mas a boa notícia é que, embora com aumento em incidência, a mortalidade por câncer vem reduzindo progressivamente, sobretudo nos países desenvolvidos, desde o final dos anos 80: fruto da prevenção, acesso a tratamentos de qualidade e desenvolvimento científico.

Além de medidas preventivas, dar aos pacientes a possibilidade de diagnóstico preciso e  precoce, fornecer tratamento rápido e de qualidade e suporte clínico e econômico-social são medidas fundamentais para aumentarmos as curas da doença. No Cetus Oncologia procuramos envolver uma equipe multidisciplinar nos cuidados do paciente associada a atendimento humanizado, que auxiliam o paciente e família no enfrentamento da doença com dignidade e auto-estima. Infelizmente, em muitos locais do Brasil, o acesso ao diagnóstico e tratamento é precário.

A Lei 12.732, conhecida como a Lei dos sessenta dias, foi promulgada sem que se desse condições estruturais e humanas necessárias para se cumprir o prazo máximo estipulado pelo governo para tratamento do câncer a partir do laudo patológico. Esse e outros desafios tornam o tratamento do câncer no Brasil um desafio.

Com as estratégias certas, é possível prevenir boa parte dos cânceres. Ter uma vida saudável é um dos principais pontos de partida para se evitar a temível doença.

 

23-01-2016 - Jornal Estado de Minas - A epidemia do câncer no mundo

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