Dia 04 de Fevereiro – Dia Mundial do Câncer


O câncer é uma das doenças mais pesquisadas pela comunidade médico-científica do mundo. Não é para menos, os números são alarmantes. A doença é a segunda causa de mortes do planeta. Segundo dados da Organização Mundial de saúde, cerca de 7,6 milhões de pessoas morrem vitimadas pelo câncer. Estudos apontam que caso não sejam tomadas medidas de grande impacto, este número ultrapassará a marca de 26 milhões de novos casos e 17 milhões de mortes por ano em 2030, sendo que 2/3 das vítimas ocorrerão nos países em desenvolvimento.

No Brasil, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA) serão mais de 500 mil novos casos em 2012. Neste dia 04 de fevereiro, onde celebramos o Dia Mundial do Câncer é preciso fazer uma reflexão. Por que será que, apesar de estarmos tão providos de tecnologia, equipamentos e pesquisas em diagnósticos, tanta gente ainda sofre com a doença? Será que estamos no caminho certo?

Bem, como oncologista e diretor de um hospital, especializado no tratamento oncológico, posso afirmar que as pesquisas do câncer nunca estiveram tão avançadas. Hoje em dia já é possível oferecer mais alternativas de tratamento com taxas de respostas altíssimas, podendo falar em muitos casos em cura.Para aumentar as taxas de sobrevida é preciso que o câncer seja diagnosticado precocemente. A maioria dos cânceres hoje em dia, se diagnosticado em fase inicial, pode chegar até 70% de chances de cura. Nesta lista, seguem os cânceres de mama, de próstata, de laringe e tantos outros.

No entanto, no Brasil, o diagnóstico do câncer não é tão rápido e quanto mais tarde detectado menor aschances de cura. Ao discutirmos a solução do tratamento do câncer no Brasil é preciso dar ênfase à conscientização e educação da população. É claro que questões de infraestrutura hospitalar, acesso aos serviços médicos, qualidade do tratamento e gratuidade são pontos fundamentais nesta luta. O Brasil tem o melhor tratamento público contra a AIDS do mundo e por que o mesmo não ocorre com o câncer? Embora sejam doenças completamente diferentes,podemos traçar um paralelo entre elas e encontrar uma maior atuação da população infectada pelo HIV que buscou ao longo do tempo seus direitos pelo melhor tratamento. Deu certo, a despeito do contínuo aumento das taxas de infecção e diagnóstico de SIDA.

Educação e prevenção andam de mãos dadas. É sabido que o cigarro é responsável por 90% dos casos de câncer de pulmão e por 30% de outros cânceres. Hábitos da sociedade moderna como vida sedentária e alimentação não saudável figuram na lista de fatores de risco. O câncer de mama é o tipo que mais mata mulheres e, muitas acima dos 50 anos ainda não fizeram uma mamografia. Em Betim,um dos poucos municípios do país onde não se detecta fila para este exame, apenas 17% do público alvo feminino procura o serviço público para fazê-lo. Educação e prevenção são palavras de ordem nesta batalha pela vida.

Temos que lutar não somente pelo acesso da população mais carente aos exames e diagnóstico precoce, mas também pela inserção na cultura do brasileiro de cuidar de si. Seja com uma alimentação balanceada, a prática de exercícios regulares, o pouco consumo do álcool e não fumar.

Charles Pádua, diretor do Cetus-hospital dia de Betim, especializado em medicina oncológica

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