Descuido fatal


Dr. Geraldo Felício, Oncologista do Cetus Oncologia

Março chega trazendo mais um alerta para a saúde. O mês é dedicado à prevenção do câncer colorretal, que afeta o intestino grosso e o reto e que mata mais de 15 mil pessoas por ano no Brasil. Este número alarmante reflete não somente a grande frequência deste câncer e o fato dele ser assintomático em muitos casos, mas também a pouca informação da população em geral e até dos profissionais de saúde sobre seus sinais e sintomas muitas vezes discretos e também de que ele pode ser prevenido ou diagnosticado precocemente com exames complementares de rastreio.

Os sintomas do mais frequentes do câncer de colorretal são a anemia sem causa aparente, alteração do hábito intestinal (prisão de ventre ou alternância entre prisão e diarreia), sangue ou muco nas fezes, perda de apetite e perda de peso. O tumor é o segundo mais incidente nas mulheres – perdendo apenas para o câncer de mama – e o terceiro em homens. Neste ano, a estimativa do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) é que surjam mais de 34 mil novos casos, sendo 17.620 no sexo feminino.

Este tumor atinge sobretudo pessoas em torno dos 55-65 anos, mas casos de diagnóstico em jovens são cada vez mais frequentes. Alguns fatores aumentam as chances, como obesidade, baixo consumo de cálcio e fibras, alto consumo de carnes vermelhas e embutidos, sedentarismo, doenças inflamatórias intestinais e histórico familiar de câncer de colón.

A boa notícia é que a doença em geral se desenvolve a partir de um pólipo intestinal durante um período evolutivo de alguns anos, e ao longo deste período é possível diagnosticá-la precocemente, mesmo em fase pré-maligna, através da Colonoscopia. Ou seja, pólipos ou tumores podem ser encontrados e removidos antes de se transformarem em câncer. Ou, se isso não for possível, pelo menos um diagnóstico precoce permite uma cirurgia muitas vezes curativa. 

O tratamento do câncer vai depender do paciente, seu histórico e do perfil da doença, como tamanho, localização e extensão do tumor. Na maioria dos casos, a cirurgia para retirada da parte do intestino afetada e os nódulos linfáticos próximos à região é o tratamento inicial. Em seguida, a quimioterapia associada ou não à radioterapia (essa em casos de tumor de reto)  é utilizada para diminuir a possibilidade de volta do tumor.

Para prevenir a doença é recomendado ter uma alimentação rica em frutas, verduras, cereais integrais e fazer exercícios físicos. As fibras encontradas em diversos alimentos também têm importante função no intestino, pois protege o órgão, facilita a evacuação, acelera o trânsito intestinal e diminui o tempo de contato das substâncias carcinógenas com a parede do intestino.

É urgente a conscientização da sociedade sobre os cuidados com a saúde. Quando o organismo não está bem, ele exterioriza por meio de sintomas, que devem ser avaliados por um profissional da saúde. Buscar continuamente um estilo de vida mais saudável é sempre uma forma de prevenir qualquer câncer. Assim como o de colorretal, vários outros tipos de cânceres são tratáveis e muitas vezes curáveis quando diagnosticados precocemente.

 

04-03-2016 - Jornal Estado de Minas - Descuido com câncer é fatal

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