Dependência Letal


Bruno G. Muzzi C. Carneiro, oncologista do Cetus Hospital Dia

 O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo e importante fator de risco para o desenvolvimento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) – como câncer, doenças pulmonares e cardiovasculares. Um relatório da OMS divulgado em julho deste ano, aponta que uma pessoa morre de doenças relacionadas ao tabaco a cada seis segundos, o equivalente a cerca de 6 milhões de pessoas por ano. O documento afirma que esse número deve aumentar para mais de 8 milhões de pessoas por ano até 2030 se não forem tomadas medidas fortes para controlar o que a entidade chama de “epidemia do tabaco”.

Neste dia 29 de agosto, data marcada como o Dia Nacional de Combate ao Fumo, vamos reforçar as ações nacionais de sensibilização e mobilização da população brasileira para os danos sociais, políticos, econômicos e ambientais causados pelo tabaco. O índice de fumantes no Brasil caiu 30,7% nos últimos nove anos. Mesmo com a queda deste número, ainda há muito a ser feito. Segundo dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico de 2014, 10,8% da população no país ainda é de fumantes. Em 2006, o índice chegava a 15,6%.

 No Brasil, o consumo de tabaco é maior entre os homens (12,8%) do que entre as mulheres (9%). A faixa etária de maior consumo é entre 45 e 54 anos, no qual 13,2% consomem o tabaco e a menor, entre os 18 e 24 anos (7,8%). Pessoas que fumam têm 10 vezes maior chance de desenvolver um câncer quando comparadas com as não-fumantes. O tabaco presente nos cigarros apresenta mais de 4.700 substâncias químicas, das quais 43 são carcinogênicas. Isto é, essas substâncias em contato repetido com os tecidos do corpo humano, provocam agressão e lesão às células, que têm um mecanismo para reparar tais danos, mas, que por sua vez, podem falhar. Nessa situação, surgem células com mutações, que podem ser o início de um câncer.

O fumo está estritamente associado a 90% dos casos de câncer de pulmão, considerado um dos tipos mais mortais do mundo. Segundo estimativas da OMS, cerca de um milhão e setecentos mil casos novos deste tipo de câncer são diagnosticados anualmente, com alto índice de óbito. Além de estar relacionado a outros tipos de cânceres como o de pulmão, cabeça e pescoço, laringe, boca, bexiga e rins. Das mortes pela neoplasia, o cigarro é responsável por 30% a 45% de todas elas.

Apesar de todas as campanhas e informações disponíveis que motivam o fumante, a decisão de parar é pessoal e requer dedicação e determinação. As tentativas para deixar de fumar fazem parte do processo para se alcançar a cessação definitiva. Por isso, é importante que a pessoa não desista se não conseguir na primeira tentativa. Recorrer à ajuda profissional é um grande passo para o fumante estabelecer um compromisso de respeito com seu corpo e sua vida.

02-09-15 - Hoje em Dia - Dependência Letal

Publicação dia 02/09/2015, Jornal Hoje em Dia. Artigo Dr. Bruno Muzzi

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