Câncer de Ovário


Marcelo Caldas, oncologista e sócio do Cetus-hospital dia, especializado em medicina oncológica

 

07-05-15 - Hoje em Dia - Câncer de Ovário Nos últimos tempos o câncer de ovário ganhou destaque na mídia em razão da cirurgia preventiva realizada pela atriz Angelina Jolie, que retirou os ovários através de um procedimento denominado ooforectomia. A atriz descobriu por meio de um exame que era portadora da mutação genética

BRCA1 e que tinha cerca de 40% de chances de desenvolver essa anomalia. No entanto, diferentemente do câncer de mama, que é amplamente discutido, o de ovário ainda é pouco conhecido entre as mulheres que sofrem com falta de informação. No próximo dia 08 de maio, o Brasil e o mundo celebram o Dia Mundial do Câncer de ovário, com o objetivo de aumentar a conscientização sobre o tumor, que é considerado o oitavo tipo mais diagnosticado nas mulheres e a sétima causa de morte por câncer na população feminina.

Atualmente, estima-se que 230 mil mulheres ao redor do globo serão diagnosticadas com câncer de ovário e que 140 mil morrerão por conta dele. Segundo últimos dados de 2014 do Instituto Nacional do Câncer, estima-se que naquele ano foram 5680 novos casos no Brasil. É importante ressaltar que o câncer de ovário é conhecido também como uma doença silenciosa. Os sinais geralmente se confundem com os de  outras doenças  não tão graves e, quando realmente incomodam, já é tarde demais. O diagnóstico tardio reduz significativamente  as chances de cura e torna a doença altamente letal.

O câncer de ovário é o tumor ginecológico mais difícil de ser diagnosticado e por isso frequentemente é diagnosticado mais tardiamente com menor chance de cura. Cerca de ¾ dos cânceres desse órgão apresentam-se em estágio avançado no momento do diagnóstico. No entanto, se descoberto precocemente, o tumor do ovário pode ser retirado com cirurgia, sem que haja a necessidade de quimioterapia e radioterapia, apresentando expectativa de vida superior a 5 anos em 90% dos casos. É importante  que  a mulher esteja ciente dos sintomas  frequentes como sangramento anormal, emagrecimento repentino, dor pélvica, perda de apetite, dores abdominais, complicações intestinais, entre outros.

Para prevenir a doença ou mesmo detectá-la precocemente é necessário estar em dia com exames e idas ao ginecologista. A realização da cirurgia preventiva também é uma importante arma nos casos de mutação genética. Acontece que o exame para detectar a mutação é caríssimo e não é realizado pelo SUS. É importante um maior estímulo às pesquisas no Brasil, para que seja possível identificar mutações fundadoras da doença, o que diminuiria o custo e tornaria mais simplificado o diagnóstico e tratamento da patologia.

 

Publicação dia 07/05/2015, Jornal Hoje em Dia. Artigo Dr. Marcelo Caldas.

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