Câncer de Ovário


Câncer de Ovário

Sandro Lana, oncologista e diretor do Cetus Oncologia, especializado em medicina oncológica

 

Doença silenciosa, o câncer de ovário é o tumor ginecológico de diagnóstico mais tardio e, por isso, frequentemente é descoberto em estágios avançados quando não há muitas chances de cura. Estima-se que mais de 250 mil mulheres em todo o mundo sejam diagnosticadas com o câncer de ovário por ano e que morram mais de 140 mil. Diferentemente do câncer de mama, que é amplamente discutido em campanhas nacionais, o câncer de ovário é pouco conhecido entre as mulheres que sofrem com a falta de informação. Por conta disso, ONGS de todo o mundo iniciaram um movimento global que tem por objetivo aumentar a conscientização sobre o tema. O dia 08 de maio tem sido lembrado desde 2013 como o Dia Mundial do Câncer de Ovário para promover informação sobre a doença e aumentar a conscientização sobre o tumor, que é considerado o oitavo tipo mais diagnosticado nas mulheres e a sétima causa de morte por câncer na população feminina.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, estima-se que somente em 2016 sejam diagnosticadas com câncer de ovário no Brasil 6150 pacientes e que o número de mortes seja de mais de 3200. Os dados estatísticos também indicam que apenas 45% das mulheres com câncer de ovário têm probabilidades de sobreviver em cinco anos, em comparação com 89% das mulheres com câncer de mama. Em países desenvolvidos e nos que estão em desenvolvimento as chances do aparecimento da doença são as mesmas.

O câncer de ovário é um tipo de tumor conhecido como o “câncer silencioso”, isso porque na fase inicial, os sinais se assemelham a problemas de saúde corriqueiros e aparentemente normais, como perda de apetite, menstruação irregular, mudança nos hábitos intestinais, dores abdominais persistentes e complicações intestinais. Ainda não há um método de diagnóstico precoce muito efetivo para o câncer de ovário, fator que dificulta bastante a detecção da doença em fases iniciais.

Para se ter uma ideia da dificuldade de detectar o tumor, cerca de 75% dos cânceres de ovário apresentam-se em estágio avançado no momento do diagnóstico, por isso a taxa de mortalidade é alta. Isso acontece pelo fato de o ovário ter espaço para crescimento e esse aumento de volume acontece de forma indolor. Entre o início da doença e o aparecimento dos sintomas podem se passar meses. Não existe uma causa específica para a doença, porém os fatores de risco como histórico familiar, a reposição hormonal pós-menopausa, o tabagismo e a obesidade devem ser observados. Se descoberto precocemente, o tumor do ovário pode ser retirado com cirurgia, sem que haja a necessidade de quimioterapia e radioterapia, apresentando expectativa de vida superior a 5 anos em 90% dos casos. É importante que a mulher esteja ciente desses sintomas frequentes.

Para prevenir a doença ou mesmo detectá-la precocemente é necessário estar em dia com exames e idas ao ginecologista. A realização da cirurgia preventiva também é uma importante arma nos casos de mutação genética. Acontece que o exame para detectar a mutação é caríssimo e não é realizado pelo SUS. É importante um maior estímulo às pesquisas no Brasil, para que seja possível identificar mutações precursoras da doença, o que diminuiria o custo e tornaria mais simplificado o diagnóstico e tratamento da patologia.

10-05-2016 - Jornal Estado de Minas - Câncer de Ovário

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