Câncer de Bexiga


Sandro Márcio Salim Lana, oncologista do Cetus Oncologia, centro especializado em medicina oncológica

 

Julho chega trazendo mais um alerta para a saúde. O mês é dedicado à prevenção do câncer de bexiga, doença cuja incidência tem aumentado consideravelmente nas últimas décadas. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a estimativa é de que 9.670 casos sejam registrados no Brasil neste ano, sendo 7.200 em homens e 2.470 em mulheres. O último balanço de mortes realizado pela entidade foi em 2013, e apontou 3.642 casos, sendo 2.542 homens e 1.099 mulheres. Um número alarmante que nos faz perceber a pouca informação da população em geral e até de profissionais de saúde sobre seus sinais e sintomas, muitas vezes confundidos com doenças menos complexas.

O principal sinal relacionado a esse tipo de câncer é o sangramento na urina (hematúria). Alguns casos podem ter dor ou ardência ao urinar, incontinência urinária, dor nas costas, dor pélvica, fadiga e perda de peso. Portanto, ao menor sinal de um desses, a indicação é que a pessoa procure auxílio médico (clínico geral ou urologista).

O câncer de bexiga começa nas células que revestem o órgão. Existem três tipos da doença, denominados de acordo com as células do órgão que sofreram a alteração e que levou ao câncer: o carcinoma de células de transição, que representa a maioria dos casos e começa nas células do tecido mais interno da bexiga; o carcinoma de células escamosas, quando o tumor afeta as células delgadas e planas que podem surgir na bexiga depois de infecção ou irritação prolongadas; e a adenocarcinoma, que tem início nas células glandulares (de secreção) que podem se formar na bexiga depois de um longo tempo de irritação ou inflamação.

As causas do câncer de bexiga nem sempre são claras. Além dos fatores “tradicionais” que podem aumentar o risco, como o tabagismo e idade avançada, o câncer de bexiga é frequentemente relacionado a infecções parasitárias, radiação e exposição a substâncias químicas, principalmente para aqueles que trabalham inalando produtos como tintas, solventes e outros químicos.

O tratamento depende do avanço da doença e se há metástase ou não. Quando a doença está superficial e não atingiu o músculo, o tratamento é feito com uma espécie de “raspagem” da lesão por meio de um endoscópio via uretra. Quando a doença já invade o músculo da bexiga, pode ser necessário retirá-la por meio de uma cirurgia, ou então pode-se combinar a quimioterapia e a radioterapia para se evitar a cirurgia. Porém, quando a doença já tem metástase, a cura não é mais possível e o objetivo do tratamento passa a ser inibir o avanço da doença.

A melhor maneira de prevenir o câncer de bexiga ainda é evitar a exposição aos fatores de risco, ter uma vida saudável, praticando atividades físicas, tendo uma boa alimentação, hidratação oral frequente e não consumindo tabaco. Além disso, quem trabalha diariamente com produtos químicos nunca deve deixar de usar os equipamentos de proteção individual.

A conscientização da sociedade sobre os cuidados com a saúde deve ser permanente. Quando o organismo não está bem, ele exterioriza por meio de sinais ou sintomas, que devem ser avaliados por um profissional da saúde.

19-07-2016 - Jornal Estado de Minas - Câncer de Bexiga menor

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